
Ora, quem nunca pensou no fim, no ponto final?! Quem nunca enxergou a morte propriamente dita como a única solução? É mais ou menos assim: você se aproxima da sacada do terceiro andar, olha para o solo, nem tão distante assim, e pensa em dar aquele breve mergulho. Apenas um estouro. Pronto! Lá se foram os problemas. Então, abre-se os “olhos” e se está rodeado de gente chorosa, aquelas pessoas as quais você dedicou inúmeros e inúteis momentos de sua compaixão e afeto em todo o percurso de sua passagem com término precoce pela terra. Eles olham seu corpo desfigurado dentro de um caixão e se perguntam o porquê de tal barbaridade e descobrem, mais adiante, que há uma resposta a qual está descrita em uma carta em seu imundo quarto de pensão, onde vivera milênios de solidão e derramara mares de lágrimas no silêncio das noites frias e sem lua que ilustram o universo dos incompreendidos. Nesta carta está sempre escrito algo que magoará mais ainda estas pessoas. É como uma vingança para o mundo, como se você fosse muito mais do que uma partícula insignificante pairando a esmo no sem-fim das ruas de mão-única de sua cidade.
De repente, os sinos. E, logo após, a marcha fúnebre de Chopin. Não exatamente os acordes em tom menor, mas, sim, aos cinco minutos idos da obra, com aquele piano suave... A alma flutua. A sensação é de, enfim, paz. Esta paz há tanto almejada, então, lhe cobre como a verdadeira, e merecida, mortalha. O mundo que lhe causou o mal agora é tão pouco nocivo quanto o pólen de uma violeta.
...Não faça isso, meu caro! Não o faça! Você não teria coragem para descobrir a verdade, que, na verdade, pára no trecho em que diz “Apenas um estouro”.
2 comentários:
Muito forte o "Apenas um estouro". Fiquei reflexiva, engasgada... Consegues fazer imagens cortantes, intrigantes...
Tens que ler "O Resto é Silêncio", do Érico Veríssimo.
Quem, afinal, nunca pensou numa vingança coletiva e individual ao mesmo tempo? O suicídio ronda mesmo a idéia de todos os seres sensíveis e racionais deste mundo. O mundo é nocivo, as relações humanas machucam e fazem pensar nessa saída que não é saída...
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